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domingo, 24 de julho de 2016

Leia brasileiros!

Fiquei sem muitas ideias do que usar de imagem.

Olá, você, autor que quer escrever uma light novel, aqui é a Tany e essa é uma postagem extremamente importante.

Esse título é estranho? Calma que explicarei na postagem.

Antes disso, permita-me conduzir você. O sonho de escrever está dentro de muitos de nós, existem aqueles que deixam esse sonho crescer, e os que que simplesmente guardam essa vontade em um porão escuro dentro de suas mentes.

O processo de escrever é penoso, exige esforço, muito trabalho e dedicação. Uma das primeiras coisas coisas que aspirantes a escritor precisam fazer é buscar um estilo, algo para chamar de seu, sua voz de escritor.

Realmente, não pode ser ajudado. Atire a primeira pedra quem não pensou na expressão "it can't be helped". Vocês estão aqui porque gostam de light novels, gostam de ler, e boa parte, creio eu, também gosta de escrever. Ou poderiam estar aqui porque adoram ler as minhas postagens, mas essa não é a realidade.

Somos um site de publicação de light novels, sim, aquelas novelas rápidas japonesas. Muito legal, não é mesmo? Mas sempre há um porém, quando você está escrevendo, em que língua você escreve?

Português. Sendo mais clara, português brasileiro. Ou melhor ainda, você escreve em brasileiro.
Está começando a entender a minha questão aqui, caro autor? Não?

Você quer escrever. E gosta de light novels. Incrível. Um dos primeiros passos para se tentar escrever é ler. Isso aí. Leia muito. Leia bastante. Se você quer escrever light novels, leia light novels japonesas para entender como elas são escritas, isso é um fato, mas tem algo que está faltando nas suas listas de leitura.

O que é? Ler autores brasileiros.

Nada contra você ler light novels, ler é ótimo. Mas quando nos acostumamos a ler só traduções, especialmente as amadoras, acabamos pegando certos maneirismos delas e aplicando na nossa escrita. E não apenas traduções, ler em outros idiomas também.

Que fique bem claro, não estou dizendo que é ruim ler traduções ou coisas em outro idioma, apenas não esqueçam de dar valor ao idioma com qual vocês vão se comunicar.

Quer alguns exemplos de tais maneirismos?

Sintaxe da frase. No brasileiro, temos uma ordem certa: Sujeito Verbo Predicado. Em inglês, a ordem é parecida, mas não essencialmente a mesma. Em japonês, a ordem é bem diferente. Isso também vale para pontuação, vírgulas tem regras gramaticais muito diferentes entre o brasileiro e o inglês. Sem contar a pontuação de falas, que é totalmente diferente nos três idiomas.

Uso de advérbios. Usar advérbios exageradamente é incômodo e cansativamente desnecessário. Igual a essas frases. Evite o uso de advérbios ao máximo, especialmente advérbios de modo, ninguém aguenta ler "-mente" toda hora. Já falei sobre eles em um Dicas (Nada) Rápidas.

Gênero. Não existe gênero neutro em brasileiro, diferente do japonês e inglês, em que você precisa especificar o gênero determinado quando necessário. Da mesma forma, você não precisa ficar citando que tal personagem é um rapaz ou uma garota toda hora. Não precisa falar "uma estudante feminina" o artigo está aí para esclarecer que é uma garota, adicionar "feminina" apenas deixa redundante.

Sujeito. Em japonês, é falta de educação você não se referir ao sujeito da frase a todo momento, porém, isso fica horrível em brasileiro. Você conversa com alguém chamando a pessoa pelo nome a todo momento? Não, nós inventamos formas de evitar o uso exagero do vocativo. Pronomes, apelidos, etc. 

Vocabulário e estrangeirismos. Lendo, você incorpora mais vocabulário, ler mais autores nacionais se torna essencial para isso. Especialmente para algumas coisinhas que muito me incomodam toda hora que vejo em uma novel: não falamos "hey", nem "huh", temos equivalentes brasileiros para esses sons, "ei" e "hã". Farei uma postagem sobre estrangeirismos futuramente. Sei que existem muitas palavras em outras línguas que às vezes parecem dizer o que queremos melhor do que a nossa própria, mas procure bem para ver se não há um equivalente em brasileiro. Você pode se surpreender.



Esses foram todos os exemplos que consegui pensar enquanto escrevia, mas existem bem mais. Nos deparamos com várias light novels que parecem traduções mal feitas, frases que não soam naturais a leitura brasileira e maneirismos de outras línguas.

Mudando um pouco o quesito do tema. Tudo bem que light novels são um gênero com origem japonesa, mas toda light novel precisa se passar no Japão? Que tal trabalhar com um cenário brasileiro, caro autor? A Borboleta na Tormenta se passa na Alemanha, e Maldições de Sangue se passa no Brasil, e são light novels incríveis.

E para deixar claro, não quero obrigar vocês a lerem todos os clássicos nacionais, o vestibular está aí para isso. Não que ler os clássicos seja ruim, é ótimo, mas se você quer ler para absorver e para começar a ler a literatura nacional de verdade, não apenas aquela leitura que suas professoras te enfiam goela a baixo no ensino médio, leia os contemporâneos.

Ok, depois de outra postagem enorme da Tany, você quer ler autores nacionais, mas por onde começar? Aqui vão algumas recomendações de autores da equipe do My Light Novel: Luís Fernando Veríssimo, Nick Farewell, Eduardo Spohr, Fábio M. Barreto, Camila Deus Dará, Gabriela Takahashi, Thiago P. Correia.

Essa postagem foi um plágio baseada nesse vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=Oz8DzHrZUdE&index=11&list=PLUucopJOZ83Zu4XcJXeiKdtN2pOfIxv9p. Recomendamos que, além de ler a postagem, você assista ao vídeo.
Vídeo do mesmo canal com mais recomendações de autores brasileiros contemporâneos: https://www.youtube.com/watch?v=DMQedFIAhSQ

E com isso termino a postagem, nos vemos na próxima!

2 comentários:

  1. Isso foi extremamente útil, obrigado.

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  2. DEUS, isso foi tão King! Especialmente a parte do “advérbios não são seus amigos”… Mas, sobre isso, de um jeito ou de outro, ainda que só em parte, eu me obrigo a discordar: pra mim — o que “perfeitamente” dispensa a sentença “minha opinião” — escrever é muito mais sobre feeling do que sobre ortografia (embora a sintaxe nunca deixa de ser importante). Indo direto ao ponto, meu problema com a falta de advérbios é que, quando numa narrativa em primeira pessoa, tende a deixar esta, na falta de uma palavra melhor, “mecânica”. Digo, é “verdadeiramente” raro encontrar alguma pessoa que, “minimamente”, use desse tipo de maneirismo enquanto fala: mas isso é porque a gente, “conscientemente” ou não, racionaliza as nossas falar: você não vai ficar rebuscando o vocabulário pra falar com um colega sobre alguma trivialidade qualquer, até porque, o tempo (seu, como locutor) é um agravante e tanto. Por outro lado, quando a gente tá escrevendo, o agravante pode ser “deliberadamente” riscado, e não são poucos os escritores (sir Terry Pratchett costuma ser o meu exemplo máximo mas, pra citar BRs, Lygia Fagundes Telles, Rubem Alves, Antônio Calado e, pra sair um pouco da via old school: Raphael Dracon, “diferentemente” do King, de quem eu sou um grande fã, só pra constar, propõe que uma narrativa é sobre sentimento/feeling, o extremo oposto de racionalização, penso eu, não sobre “lapidação”, que, de novo, penso eu, serviria “perfeitamente” como um sinônimo desta).

    Ademais, só pela recomendação de leitura da Takahashi (eu achei “Coma” um tanto quanto infantil, verdade, mas a leitura “certamente” valeu a pena) já foi um ótimo texto.

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