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quarta-feira, 7 de outubro de 2020

Foreshadowing: A arte de ser sutil


Foreshadow é um termo em inglês para algo parecido com “presságio”. Ou seja, fazer um foreshadow nada mais é o do que dizer que alguma coisa está para acontecer. Mas se fosse tão fácil assim, a gente não precisaria fazer uma postagem só para te ajudar a criar um presságio narrativo. Na verdade, a graça do foreshadow é que você não percebe que ele existe — até alguma coisa inesperada acontecer e você perceber que, na verdade, aquilo já tinha sido comentado antes.

Se você está a fim de descobrir como fazer seu leitor ter um momento “AHA!”, pegue sua bebida preferida e Leia Mais: está na hora de deixar seu leitor boquiaberto.



A arma de Chekhov

Anton Chekhov foi um grande dramaturgo e contista russo. Apesar de sua vasta obra de peças e contos, ele ficou famoso no mundo dos escritores pelo seu sábio conselho: “Se uma arma está presa na parede durante o Primeiro Ato, ela deverá atirar no Último”. Basicamente, Chekhov nos diz que se você colocou alguma coisa importante no seu livro, essa coisa deve ser útil para sua narrativa de algum jeito.

Por exemplo: vamos supor que o personagem principal de uma história sobrenatural está investigando um assassinato em uma casa abandonada. Enquanto descreve a casa, o autor te diz que há o retrato de um homem sobre a lareira, provavelmente um dos antigos donos. Agora pense: se o escritor chamou sua atenção para isso, quer dizer que o retrato é um elemento importante desse cenário: talvez, na verdade, esse seja o retrato do primeiro morador da casa que, por pendências mundanas, ainda assombra a residência e continua a matar seus próximos moradores — fato que você e o investigador só terão certeza no fim da história. Nesse exemplo, nosso retrato apareceu e teve um papel importante na compreensão da trama, revelando que o assassino já era nosso conhecido e estava morto há muito tempo.

Agora que já sabe o que é a arma de Chekhov, preste atenção na série de dicas de foreshadowing abaixo: elas precisam que você já tenha estabelecido uma arma de Chekov, preferencialmente de um jeito mais sutil, para que a maioria possa funcionar bem.


Presságios através da narração

No núcleo do foreshadow narrativo está o uso de detalhes aparentemente desinteressantes — lembre-se, o foreshadow deve ser o mais sutil possível. Em Zona Morta, Stephen King apresenta um vendedor de para-raios que tenta vender seus produtos para um barman, o qual recusa veementemente o produto — até que ele é atingido por um raio logo à frente e o personagem que parecia apenas um vendedor comum agora ganha novos ares de mistério.

       Ao contrário de dos detalhes desinteressantes, você também pode optar por deixar o narrador revelar o foreshadow: ele diz que alguma coisa vai acontecer, então deixa o leitor ansioso para saber como as coisas vão se desenrolar até chegar nesse ponto. Por exemplo, Shakespere (Macbeth) disse que: “Pelo comichão de meus polegares,/ algo de mau vem aí” — agora o leitor precisa ler o resto da história para ver se esse mau chegará ou não.

Outro jeito de criar foreshadowings é utilizar cenas espelhadas. Nesse tipo de artifício, a narração mostra ao leitor uma cena que, futuramente, é refeita em outro contexto. Esse tipo de foreshadow é especialmente importante para criar vínculo entre duas situações, mostrando como elas são mais semelhantes ou diferentes do que se imagina. Por exemplo, o filme Amnésia (2000) se utiliza bastante desse tipo de foreshadow, revelando de pouco em pouco os paralelos entre o passado e o presente.

Em um nível maior de complexidade, você também pode utilizar ironias narrativas para criar esse artifício. As ironias narrativas acontecem quando você dá uma pista de algo que seu leitor ainda não sabe e que, no futuro, servirá como base para que um embate de expectativas, normalmente entre o que o leitor pensava ser verdade e o que realmente aconteceu. O exemplo mais famoso de ironia narrativa talvez seja Édipo Rei, de Sófocles: sem saber que fora o responsável pela morte do pai, o Rei Édipo jura vingar a morte do rei anterior, matando o regicida.


Presságios através de descrições

Como já conversamos no tópico sobre a arma de Checkov, os leitores sabem quando algo importante para a história acabou de aparecer. Quando você foca a atenção das descrições sobre um ponto específico, pode ter certeza que os leitores esperarão que isso seja usado no futuro: portanto, use isso ao seu favor. No primeiro capítulo de Fundação, primeiro livro da trilogia de Isaac Asimov, o autor ressalta que sempre há alguém junto de Gaal Dornick em seu tour por Anacreon. Como leitor, pensamos que isso é uma atitude bastante suspeita — e depois descobrimos que estávamos certos, já Dornick estava sendo seguido desde sua chegada no planeta.

Uma ideia um pouco mais complexa, mas muito boa, é usar o ambiente para refletir possibilidades futuras — nós já comentamos sobre usar o cenário para refletir emoções nessa postagem. As primeiras cenas de O Processo, de Franz Kafka, mostram muito bem como o tom da narrativa será claustrofóbico e desafiará os limites judiciais da realidade.

Falando de subjetividade, também é possível criar foreshadows através de simbolismos nas suas descrições. Folhas de outono caindo podem representar a morte; uma tempestade chegando, grandes conflitos; do mesmo jeito que “Min-D” pode soar um nome muito legal, até que você perceba que MD representam a sigla para Ectasy — e que Mind tem tudo a ver com os novos poderes de um certo protagonista.


Presságios através de diálogos

Para criar presságios com base em diálogos, tente fazer o comentário em questão parecer simples, corriqueiro e sem muita importância. Lembrando que, para isso, todo o contexto deve estar propício para o diálogo ser tomado como inofensivo: então, veja em qual cena e em qual momento dela tal comentário se encaixaria melhor. Por exemplo, quando Indiana Jones comenta que odeia cobras, esse comentário parece inofensivo e até cômico para um explorador, dentro daquele contexto informal — até que ele fica preso em uma câmara cheia de cobras.

Por fim, outra ideia legal é utilizar personagens (ou o próprio narrador) para se referir a nomes importantes. Nomes intrigantes (como Voldermort, em Harry Potter), eventos com nomes pomposos (como A Colheita, em Jogos Vorazes) trazem a sensação de que algo importante está por vir.


Ficou com alguma dúvida, quer comentar alguma coisa ou simplesmente reforçar o quanto histórias ficam mais legais quantos menos coincidências houver? Para isso, pode usar nosso campo de comentários — sempre lembrando de ser respeitoso e legal com os outros colegas. E isso é tudo, pessoal!


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