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terça-feira, 29 de agosto de 2017

Criatividade: Por fim, a Rejeição


Você escreveu. Você revisou. Você apagou e escreveu de novo. Então, apagou mais uma vez. Aí escreveu tudo de novo. Como tinha algum conhecimento de Photoshop, fez uma capa dando seu máximo com stocks do Google Imagens.
Colocou o nome, o gênero, a sinopse, seus comentários pessoais. Clicou em enviar.
Esperou a resposta.

E o que veio depois? Somente sua própria rejeição.


Motivos para escrever


Um grande problema é a falta de necessidade para fazer o que você faz. Nesse contexto de liberdade criativa no qual a gente se encontra, não somos obrigados a escrever, compor, pintar, desenhar, cantar, que seja. Nós escolhemos isso - muitas vezes, pagando alguma coisa em troca. E é justamente por isso que seja tão difícil lidar com a rejeição.

Para a maioria de nós, escrever é algo prazeroso e que fazemos por hobbie, abrindo a boca para dizer "Eu faria isso até mesmo se não me pagassem!". Querendo ou não, há alguma coisa que te diz para tirar essas personagens da cabeça e colocar no papel, mostrar ao mundo que tem uma coisa que vale a pena ser compartilhada. E fazemos isso do jeito que achamos melhor - ou, ao menos, deveria ser assim. 

Todavia, não entre aqui esperando ser bem-sucedido e começar a vender seus livros para o mundo todo, ganhando tanto dinheiro e reconhecimento que não vai precisar fazer nada por toda a sua vida. Não é assim que as coisas funcionam. Se você deseja fazer essa coisa, qual o verdadeiro motivo disso? Se for somente a grana, sinto-lhe dizer, a arte - de modo geral - não é das mais lucrativas. 

Alguns fazem isso porque gostam, como um hobbie-trabalho-super-legal.
Outros fazem porque têm uma missão: mostrar aos idealistas que há coisas ruins ou mostrar ao homem contemporâneo que existem coisas boas - e assim por diante.
Outros ainda fazem por um egoísmo humanitário: escrever os problemas, compartilhá-los com o mundo e, quem sabe, ajudar outras pessoas na mesma situação.

Escrever seu texto para encaminhá-lo para qualquer site ou empresa do ramo apenas desejando somente bufunfa não é o caminho mais inteligente. Ou você acha mesmo que Machado - negro, suburbano -, tava a fim de enriquecer e acabou? Ou que Clarice Lispector só escrevia daquela maneira para atrair público? Ou que nossos autores somente estão atrás de leitores para segui-los por todos os cantos - a custo de revisões grandes, tempo investido na escrita e leitura, discussões com o revisor e acontecimentos pessoais frustrantes?

Venhamos e convenhamos: alguma coisa deve fazer esses caras desejarem por tanto sofrimento.
Eles sabem o que desejam.
E você, quer o quê?

Encontre sua arché e suas chances de ser aceito aumentarão.

Eis que ela veio


Acontece que o problema não era esse. Alguma coisa no seu texto estava errada. Então, vamos procurar o erro nele. Para isso, é bom que confira nossas postagens sobre o processo de recebimento e publicação de novels no MLN: a pré-revisão e a revisão + postagem.

Então, você abre seu e-mail de devolutiva e se depara com algo parecido com isso:

Ortografia: boa, com deslizes que não comprometem a nota final. Apenas atente-se a utilização alternada de tempos diferentes do pretérito, como exemplificado na página 3, parágrafo 1, linha 5.

Pontuação: boa, porém com pequenos deslizes de escrita, tais como a falta de vírgulas em sentenças que deveriam ser isoladas, uso incorreto do ponto e vírgula e utilização excessiva de pontos de interrogação e exclamação. O erro repete-se, mais especificamente, na primeira metade do arquivo - página 1-5 -, evidenciando a quebra no ritmo da escrita e falta de revisão posterior.

Descrições: medianas, apresentando apenas os detalhes essenciais e sem aprofundamento, o que torna a narrativa maçante e faz toda a carga dramática recair somente sobre os diálogos. É recomendável uma maior desenvoltura na hora da escrita - pode ser que ainda não se acostumou com seu próprio estilo, então procure escrever outras coisas antes de encaminhar algo novamente -, afinal, nem só de diálogos vive um livro.

Diálogos: ruins. Tente diminuir o número de diálogos e aumentar a qualidade das descrições, como dito anteriormente. A função do diálogo - exposição de acontecimentos/posicionamentos - não é cumprida.

Narração: mediana-ruim. Seu narrador é extremamente chato e inconveniente. O único momento em que eu tenho sossego é na hora dos diálogos, afinal, ele aparece pouco por lá. Por tudo o que é mais sagrado, tira essa criança ou mude ela. As piadas não tem graça. Ela não tem graça. Eu quero esfregar meu rosto na parede sempre que ela solta algum trocadilho DAQUELES. 
Esconda ela no porão se for preciso, mas tente sumir com ela. Sério, isso prejudicou muito sua nota.

Enredo: inesperadamente mediano, abordando a magia de uma maneira clichê, com drama pessoal estranho. 

Apesar dos "bons", é notável que há mais pontos negativos. No caso, essa seria uma novel reprovada, que voltaria ao escritor. 

Primeiro, entenda que sim: é possível melhorar esse texto imaginário. O autor precisa ler os posts recomendados, entender cada erro e praticar mais antes de encaminhar uma nova história. É comum que recebamos novels que já foram avaliadas e reprovadas, porém, continuam com os mesmos erros - ás vezes, a história até muda, mas o escritor repete os mesmos erros de novo e de novo. 

Leve a rejeição a sério e aprenda com ela. Mas como?
Experimente você: pense ou escreva aí no que nosso autor-ferona está pecando e como ele poderia melhorar. Vamos ver se você entende do assunto.

Pare e pense a respeito: OK, e agora?


  • Seu sucesso como escritor depende mais do seu esforço do que do seu talento: aprender com seus erros é uma forma extremamente inteligente de continuar avançando. Se você não sabe escrever bons diálogos, tente uma crônica somente escrita a base deles. Mas se sua fraqueza é a narração, por que não tenta um conto diferente? Ou se seu enredo é estranho, por que não tentar algo mais palpável? Eu defendo sempre essa intersecção entre os meios da escrita. Não importa se você escreve poemas ou romances curtos, sair do seu estilo inicial pode te ensinar muito sobre você e sobre seu próprio estilo. Então, ao ser rejeitado, estude seus erros.
  • Sim, ela vai acontecer: inevitavelmente, uma hora você vai ser rejeitado. Por isso, esteja pronto para ela. Encaminhar uma novel gore pode ter causado reprovação por enredo, mas foi destacado sua ótima gramática e diálogos; porém, você ainda tem aquele rascunho de suspense. Seria essa a hora de melhorá-lo? Então, ao ser rejeitado, sempre tenha um plano B.
  • Interprete as críticas: sejam aquelas do seu melhor amigo ou de nossos revisores, críticas bem feitas devem ser pensadas. Não adianta continuar inflando o ego e pensando que sua escrita é tão boa e ninguém a reconhece, oh céus! Se não ferir sua história ou sua integridade, qual o problema em alterar um detalhe: um personagem, uma cena, uma descrição. Uma crítica pode apontar uma melhora em desenvolvimento, outra no seu estilo, outra na própria história. Então, ao ser rejeitado, pense nas críticas e na melhor maneira de revertê-las.
  • O poder do "não é boa o suficiente": uma novel mediana nunca será publicada. Diálogos medianos e enredo mediano? Nem pensar. Clichês voando em nuvens sorridentes? Nunca. Você não pode mudar o mercado para que ele absorva sua história, mas pode mudar a si mesmo para melhorá-la. Ela está boa, mas não ainda. Falta alguma coisa. Aquela coisa. Aquela coisa que só você sabe o que é e só você pode fazer. Então, ao ser rejeitado, reflita sobre você e sobre o potencial do que você pode e está fazendo.
  • Use as pedras como arma: no seu RPG, quando você uma garota forte, cheia de sujeira e cicatrizes pelo corpo, você pensa "Olha, ela encarou seus desafios de forma brilhante!" ou "Caramba, olha aquilo, cara! Ela deve ter ido matar Satã para acabar desse jeito ainda tá com a cabeça no lugar. Não, pera, isso não é possível. Eu vou lá falar com ela.". Pois então, ela só conseguiu derrotar o Boss Final porque entendeu as mecânicas dele. Perdeu, perdeu e perdeu de novo, até que conseguiu encontrar uma maneira inteligente de derrotá-lo. Ninguém disse que foi fácil, afinal, olhe para aquelas cicatrizes. Mas ela venceu. As cicatrizes fizeram dela alguém mais forte, corajosa e inteligente. Tenha orgulho das suas rejeições, são elas quem te motivam também. Então, ao ser rejeitado, pense se não seria melhor mostrar para esse bando de idiotas quem é que manda nesse lugar!
  • quase Nunca é pessoal: Você não foi rejeitado por ter um nome estranho que não ficaria legal na capa. Você não foi rejeitado por ser insistente. Você não foi rejeitado por não ter uma capa. Você não foi rejeitado por não ter ilustrações. Você não foi rejeitado porquê não gostamos de você: nós não gostamos foi da sua história mesmo. Então, ao ser rejeitado, não saia por aí gritando que o revisor te odeia. 
  • Pratique. Pratique. Pratique. Pratique. Pratique. E você já saberá o que fazer.

Calma, talvez você esteja quase lá!


Pratique até você chegar no seu platô.
Espera, você não sabe o que é isso?  Então espere mais um pouco: logo mais irá saber.

Dúvidas, críticas e sugestões estão livres nos comentários. 

A penny for your thoughts.

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