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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

O Romance, a Arché e a Última Crônica


Admito que nunca fui fã de História Antiga, quanto mais da Filosofia desse período. Porém, cerca de uma semana atrás, por força do curso destino, comecei a estudar mais sobre o pensamento crítico dos gregos. Então, notei que não há diferença alguma da maneira como pensamos a escrita e a maneira como eles pensavam a realidade.
Por isso, aqui vai um conselho: pare de escrever sua novel e se concentre em sua arché.

Tudo tem um motivo.

Tudo bem, eu entendo sua curiosidade a respeito da minha crítica ao seu exercício e eu também estaria curioso se fosse você. Mas, vamos com calma. Para que consiga compreender melhor tudo o que vou falar daqui a pouco, preciso que entenda ou reforce alguns conceitos.


UM POUCO DE FILOSOFIA 
ou nem tanto assim

Arché pode ser traduzido como o elemento primordial que forma todas as coisas. Ela foi um objeto de fascinação de um grupo de carinhas gregos chamados Pré-Socráticos. Tales dizia que a água era o que formava tudo, Heráclito dizia que era o fogo, Anaxímenes o ar, Demócrito os átomos e assim por diante, até chegarmos em Sócrates.

Como você já deve ter percebido, todos eles tratavam da origem de tudo o que existe de maneira objetiva, sem muitas relativizações - por título de curiosidade, isso é chamado de monismo. A questão é que, como já vimos com a Filosofia Moderna e Contemporânea, a origem das coisas é um pouco mais complicado de explicar do que isso. Existem implicações, sejam elas intelectuais, sociais, morais, éticas e o que mais for possível.

Porém, agora que já estamos brisados  falando a mesma língua, queria te fazer uma provocação: Seria possível criar algo complexo, como o Cérebro Humano, apenas com uma coisa - eleja sua arché aí -, um componente vital e único?

Pare por alguns segundos e responda mentalmente.

Agora troque "Cérebro Humano" por "Seu Romance/Novel/História". A resposta continua a mesma?
Pronto, chegamos ao cerne do problema.

Inclusive os GIFs.


CRIANDO UM CÉREBRO USANDO MADEIRA

O Romance é um gênero literário complexo, com uma grande história, que começa lá na Grécia Antiga - a mesma época da Arché, olha que coincidência - e se estende até o infinito e além, afinal, o mundo não acabou, pelo menos é o que meus sentidos me dizem.

É claro que não há nada de errado em se aventurar em algo complexo para entender o feeling do processo, mas creio que esse não seja o jeito mais interessante de continuar. Pense comigo: como você vai entender o que é uma Oração Subordinada Substantiva Subjetiva quando você
sequer sabe o que é um verbo?
Então como raios você quer escrever um romance para ser publicado sem nunca ter experimentado algo diferente disso e sem conhecer aspectos mais subjetivos da linguagem? 
Como você deseja criar um cérebro usando somente madeira

Da mesma maneira, escrever um romance é bem mais do que escrever um texto para autossatisfação. É um conjunto de esforço, tempo, dedicação, muita leitura, muita escrita e que, muitas vezes, nós não temos. Eu mesmo, com pouco mais do que uma hora vaga por dia, dificilmente conseguiria escrever algo no nível de Doyle ou King, afinal, não conseguiria ler e escrever o necessário para aprimorar minha escrita e entender todos os mecanismos que compõe meu estilo.

Pois bem, já que não é recomendável começar por algo complexo, com teias e mais teias de personagens e trama, que tal algo menos difícil, mas que tenha a mesma essência?

Porque a Toph é sensacional.


CRÔNICA - A ARCHÉ DO ROMANCE

Okay, okay, okay, não me mate ainda. Eu tenho algumas últimas palavras!

A Crônica é o tipo textual que mais se aproxima do Romance e, pelo que pude notar, dá uma mão na construção de um estilo. Escrever uma crônica é um processo muito tranquilo e prazeroso, que ajuda você a encontrar um rumo para sua escrita. 

Uma boa crônica possibilita uma imersão intensa na história, causando reflexão, diversão e incitando o espírito crítico do leitor. E o que um romance faz, se não também isso?

Uma crônica faz o escritor abrir os olhos para o seu exterior, pois a inspiração para ela vem justamente de pequenos fatos cotidianos que, aos olhos despreparados, seriam apenas "mais uma coisa acontecendo aqui". E como ter a ideia para um romance, se não olhando a sua volta e assimilando conteúdos?

A crônica também exige grande capacidade de juntar ideias aparentemente desconexas, pois o cronista, ao mesmo tempo em que narra um fato, filosofa sobre ele. E o que não falta na filosofia são comparações inusitadas, metáforas, figuras de linguagem, jeitos novos de olhar para um fenômeno. E o que é preciso para um romance ter uma boa trama, se não isso?

Além do mais, a crônica é curta e isso faz você criar descrições concisas, objetivas e, ao mesmo tempo, emotivas e interessantes.

Precisa de mais alguma coisa para começar a escrever crônicas e se aprimorar como escritor? Qual é, eu juro que não dói - pelo menos não depois da 30ª linha.

E se quiser uma recomendação para começar a entrar no fantástico e filosófico mundo das crônicas, fica aqui "A Última Crônica", de Fernando Sabino. Um dos melhores textos em Língua Portuguesa.

Com esse argumento, até eu começaria logo uma crônica...

Caso queira deixar algumas recomendações de crônicas, OBJECTIONS e afins, o campo de comentários está esperando por amor.

Por enquanto é isso. 
Até mais!

11 comentários:

  1. Existe alguma crônica que lide com o fantástico/aventura ou o próprio gênero não se aplica?

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    Respostas
    1. Fala, Webmaster. Bem, se buscar na literatura, dificilmente encontrará alguma crônica nesse estilo, porque a graça delas não é sobre o que tratam, mas como tratam - por isso, a abordagem se torna bastante parecida com a do romance. Mas se quiser, tem as Crônicas de Nárnia, que mesmo não sendo o tipo de crônica que estamos acostumados aqui no Brasil, se encaixa, de alguma forma, nesse padrão.
      Qualquer dúvida é só comentar,
      Abraços.

      Excluir
    2. Valeu, Vong! Darei uma olhada nelas sim. Depois que fiz a pergunta até imaginei Nárnia, só que me veio a dúvida do conceito de crônica quando comparei Nárnia com oq aprendi na escola. Por sinal, você poderia falar, por alto, qual tipo de crônica estamos acostumados aqui no Brasil, seriam aquelas sobre a vida cotidiana etc? ;D

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    3. Que bom que se encheu de DETERMINATION para entender um pouco mais sobre isso; mim ficar feliz.
      As crônicas na literatura brasileira são realmente aquelas com foco na vida cotidiana, ou seja, em acontecimentos do dia a dia - mas é um pouco mais do que isso.
      Na crônica do Fernando Sabino, por exemplo (A Última Crônica), você percebe que o autor observou algo que passou batido pela maioria das pessoas, mas que ele observou e transformou isso em um belo texto. Sem ser muito poético - mas, fazer oq, é a literatura -, as boas crônicas tem um foco em tornar poesia algo que é só cinza, que tá aí no nosso dia a dia tumultuado mas que, infelizmente, não percebemos - como um post, um comentário legal, uma sorriso, etc.
      Confesso que eu sou meio contra isso de ensinar que as crônicas são sobre vida cotidiana: não, elas são pessoas que ninguém enxerga, a não ser o pessoal que escreve, que vira e mexe tá vendo coisas e sendo chamado de lunático.
      Aliás, uma curiosidade: crônica vem do grego chronos, que indica tempo. Ou seja, todas as histórias que registram eventos, podem ser consideradas crônicas.
      Qualquer coisa, novamente, é só comentar aqui.
      Espero ter sanado a dúvida xD
      Abraços.

      Excluir
    4. Muita DETERMINATION.

      xD

      Muito obrigado por sua atenção, Vong! Serão respostas de muita valia para mim.
      É porque eu quero ter ctz do que eu estou fazendo para não fazer muita merda kkkkkkk

      Ademais, só quero saber de mais uma coisinha. Bem, eu pesquisando aqui, vi que uma crônica que vai para o lado do fantástico/aventura se assemelha muito a um conto, isso procede?

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    5. O Conto e a Crônica são muito parecidos mesmo. Mas tem algumas diferenças, saca só:

      [Crônica]: É como um pedaço reflexivo de atitudes cotidianas - como já falamos anteriormente -, podendo ter ironia, sarcasmo; ou ser algo realmente mais sério, sem flashbacks, com tempo CHRONOlógico e, normalmente, poucas personagens.
      É tipo um pedaço de uma torta de morango feita por Platão e Aristóteles.
      Exemplo: Atitude Suspeita (Veríssimo)/ A Última Crônica (Sabino).

      [Conto]: É um gênero que necessita de um enredo - começo, meio e fim -, com um número considerável de personagens e somente uma trama principal.
      É tipo um pudim de chocolate.
      Exemplo: Os contos de Sherlock Holmes ou da Clarice Lispector.

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    6. Hmm, tendi. As comparações com comida realmente me fizeram visualizar a coisa huehueh

      Farei algumas crônicas aqui a fim de afinar a escrita, melhorar as descrições e tudo mais.

      Valeu! ;D

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  2. Aquele post maravilhoso, que te faz pensar que seria melhor desistir e fazer qualquer coisa que de dinheiro.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. > escrever
      > dar dinheiro
      > error
      > transforme isso em uma crônica
      > escreva
      > não ganhe dinheiro
      > seja pobre, mas feliz

      Excluir

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