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quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

Guia para desenvolver bons personagens de ficção

    Personagens são animais, seres, criaturas, coisas ou pessoas que fazem parte de uma história. Por meio de suas ações e diálogos, os personagens conduzem a narrativa através dos diversos segmentos do enredo. Aliás, histórias podem ter apenas um personagem — ou uma variedade deles, cada um exercendo funções como antagonista, protagonista e personagem secundário. Apesar da possibilidade de escrever uma história com um único personagem, a maioria das histórias possui diversos personagens que interagem entre si. Dessas interações, surgem conflitos internos (acerca de si mesmo) e externos (acerca do mundo).

    Na última postagem de dicas de 2021, um tema muito pedido pelos leitores: como desenvolver personagens! Se quiser conhecer mais sobre esse tema, basta Ler Mais!




    Por mais diferentes que sejam, todas as histórias partem do mesmo ponto: um personagem interage com o universo dentro de um período de tempo. Personagem e enredo são elementos inseparáveis: o personagem se molda de acordo com o que acontece com ele; enquanto o enredo só avança por conta das ações do personagem sobre o mundo. Caso você não tenha uma ideia concreta de quem seu personagem é enquanto pessoa, o que ele valoriza, do que ele tem medo e o que ele almeja, o leitor provavelmente deixará seu enredo de escanteio também. 

    Assim como as pessoas reais, personagens também possuem histórias de bebedeira, medos, fragilidades, passatempos, bichinhos de estimação e maneirismos. Quando você constrói um personagem com essas características em mente, o leitor passa a se conectar com ele — e, consequentemente, com aquilo que acontece com ele. Portanto, é fundamental que você tenha uma ideia geral (mas profunda) das características de seus personagens antes de começar a mergulhar no enredo. Com isso, você será capaz de descrever com maior clareza as reações de cada um deles frente aos problemas que se erguerão.


Estabeleça motivações e objetivos


    Bons personagens carregam consigo duas coisas: motivações e objetivos. A primeira diz respeito ao "por quê"; a segunda, ao "o quê".

    As motivações individuais de cada personagem são o porquê de eles existirem dentro da narrativa. Quando o leitor conhece a motivação, ele passa a entender melhor porque cada personagem quer o que quer, da maneira que quer. Dessa maneira, é recomendável que as motivações possuam conexões profundas com a história do próprio personagem, não sendo apenas justificativas vagas do porquê ele quer matar o grande Rei Demônio ou destruir o universo. 

    Quando você consegue entrelaçar as motivações da narrativa do personagem com o enredo, você passa a desenvolver um tema em comum (já falamos disso em outra postagem!). Por exemplo, se seu enredo envolve a redenção de um vilão, um dos personagens pode ser o filho de um herói que deseja mostrar ao mundo que heróis também são falhos porque ele sabe como é horrível ser exaltado como um ser perfeito. Nesse exemplo, o vilão redimido e o herói falho compartilham um tema em comum: a quebra de expectativas com relação ao papel que exercem na sociedade. No caso do nosso personagem, essa vontade surge de suas próprias experiências pessoais — que se ligam com a trama maior!

    Então, chegamos nos objetivos: o "o quê" do personagem. O objetivo é aquilo que ele deseja, busca, sonha e almeja. É o prêmio final de toda a jornada que ele está constantemente correndo atrás. Pode ser a mudança, o encontro de um assassino, a paz mundial. Continuando no nosso exemplo, o objetivo de nosso pequeno herói é "mostrar ao mundo que heróis também possuem falhas". 

A motivação leva à busca pelo objetivo, e o objetivo dá sentido à motivação.

Escolha uma voz


    Você pensou em quem contará sua história? É claro, nós sabemos que você, autor, é a grande mente por trás dos acontecimentos. Mas quem será o narrador de tudo isso? Se você optar por uma narração em primeira pessoa, poderá utilizar recursos mais intimistas, trazendo à tona os pensamentos e sentimentos de seu protagonista. Por outro lado, a terceira pessoa te possibilita montar um panorama geral das ações dos outros personagens, como uma câmera que revolve a ação. Dependendo de qual narrador escolher, sua narrativa mudará completamente e seu leitor terá mais ou menos acesso às mudanças mais sutis na personalidade de seus personagens.

Revele as camadas aos poucos


    Na primeira vez que um personagem aparecer, não comente muito sobre quem ele é. Fale sobre como ele se parece. Ninguém fica sabendo da biografia do colega de trabalho no primeiro dia de trabalho na firma, então seu protagonista também não vai ouvir a história trágica de todos os personagens na primeira vez que os encontrar. Revele mais informações sobre os personagens conforme a história avançar e a situação for propícia para isso. Nada de flashbacks de balanço sem uma boa justificativa!

Crie conflitos


    Essencialmente, o conflito é resultado do embate de forças opostas. Um objetivo contra o outro, um sentimento contra o outro, um par de músculos contra um mosquete carregado. Diversos tipos de conflitos são capazes de impactar no poder de julgamento de um personagem. Alguns dos conflitos mais clássicos envolvem oposição direta às características marcantes de um personagem: personagens fortes encarando suas fraquezas; personagens indecisos forçados a escolher; personagens benevolentes forçados a matar alguém.

    Perceba, portanto, que conflitos também possuem origens variadas. Um conflito pode ser externo, como ter uma arma apontada para você; ou interno, quando alguém é forçado a agir contra suas próprias crenças. No final das contas, conflitos são ótimas fontes de movimento para a narrativa, independente de onde eles venham. Afinal de contas, o que é uma história se não uma sucessão de conflitos?

Utilize descrições realistas


    As melhores descrições são as descrições compreensíveis. Quando descrever a personalidade de um personagem, pense em alguém que você conhece ou acha que conhece. Como você descreveria essa pessoa? Você diria que ela tem 1,90m, olhos pretos como a noite e lábios vermelhos-carmesim? Como você descreveria sua linguagem corporal ou seus maneirismos? Descreva seus personagens em termos familiares que ajudem seu leitor a ter uma visão mais realista do seu personagem.

    Aliás, vale lembrar que personagens palpáveis são personagens reais. Uma dica é pensar em características opostas que se misturam em uma mesma pessoa. Alguém que é extrovertido, mas precisa de seus momentos sozinho. Alguém que ama cantar, mas é tímido. Alguém que é estourado, mas quando o assunto é o filho, vira a pessoa mais doce do mundo. Quando você cria personagens com diversas camadas, o leitor pode se conectar um pouco mais fácil. Entretanto, existem exceções a essa proposição. Conversaremos a respeito disso em outra oportunidade.

Desenvolva os personagens secundários


    Personagens secundários bem construídos intensificam as características dos personagens principais, desde seus pontos fortes até suas fraquezas mais profundas, passando pelas características de personalidade que os definem. Se você criar um personagem com arco estático (que não evolui muito no decorrer da narrativa), tente criar um personagem dinâmico (que está sempre se modificando ao longo da história). Um personagem que pensa demais com um aliado que prefere atirar; uma protagonista corajosa com uma namorada medrosa; um investigador que odeia barulhos e a policial mais barulhenta do departaento. Esse é o grande barato dos secundários: o contraste que eles podem criar com os personagens principais.

Exercício de escrita

1 Página, 1 Personagem, 1 Descrição


Escolha um de seus personagens e escreva uma página de descrição sobre ele tomando como base os itens a seguir:

  • Em vez de uma descrição física rasa no melhor estilo lista de compras, tente observar seu personagem de outro ângulo. O personagem tem um apelido? Caso haja, como esse apelido surgiu? Como o personagem descreveria sua própria aparência? Como ele descreveria sua personalidade? Como o personagem se sente sobre si mesmo? Esse exercício visa aumentar o rol de possibilidades que você possui para descrever o mesmo personagem sem parecer redundante, além de aumentar sua compreensão sobre ele.
  • Escolha um momento importante da história do seu personagem e pense nas consequências disso. Um acidente de carro pode tê-lo deixado sequelas, como fobia de carros, tremores nas mãos ou dificuldade de locomoção. Ser abandonado pela família pode resultar em maior autonomia, mas profundo senso de desconfiança para com qualquer pessoa que tente se aproximar. Esse exercício é ótimo para atrelar as 
  • Escolha uma das características de personalidade do personagem e crie uma lista de expressões dessa característica. Por exemplo, quando o personagem está diante de uma cena que o deixa ansioso, ele rói as unhas, começa a bater os pés, anda de um lado para o outro ou começa abotoar e desabotoar a manga do terno. Quando sua protagonista está animada, ela fala demais, troca algumas letras de lugar, chama todo mundo de "Meu truta" e assim por diante.
  • Descubra o espaço do personagem. Pode ser um quarto, a cozinha do apartamento, o escritório desorganizado, uma cabana no meio da floresta ou a corcunda de seu bom e velho camelo. Todo mundo tem um lugar seguro - inclusive seu personagem.

E por hoje é só! Deixe aí nos comentários o que achou das dicas e do exercício de escrita. Quer ver mais exercícios de escrita por aqui? Tem algum tema de postagem que gostaria de recomendar? Estou aguardando seu comentário!



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Um comentário:

  1. Excelente guia! Pode-se dizer que aqui podemos ver um perfeito passo a passo de como construir qualquer história. Estão de parabéns!

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