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terça-feira, 27 de outubro de 2020

Como evitar furos de roteiro - Parte 1

O mundo seria um lugar mais divertido se todo o enredo se encaixasse sozinho. Imagine: você tem uma ideia de personagem, de mundo e de enredo. Assim que você começasse a escrever, tudo magicamente entraria no lugar e não seria preciso nem revisão. Todo o arco dos personagens estaria fechado, toda o enredo faria sentido e todos os diálogos estariam perfeitamente críveis. Uma pena que não é assim. Nós vivemos no mundo real e aqui existem furos de roteiro.

Se você quer evitar essa dor de cabeça para você (e seu revisor), Leia Mais! Hoje vamos ver como responder às perguntas certas pode fazer seu enredo muito mais interessante e aprovável.




Furos de roteiro


Todos os mundo têm regras. Em alguns, o sobrenatural não existe. Em outros, a magia não pode ser usada sem algum tipo específico de combustível. Em outros, a tecnologia avançou tanto que agora é capaz de fazer upload de mentes humanas - mas não consegue copiar suas emoções. Seja na ficção ou na não-ficção, toda história se passa em um lugar com regras.

Os furos de roteiro acontecem justamente quando as regras são quebradas ou ignoradas pelo autor. Seja inventando novas regras por simples conveniência ou misturando as regras antigas na tentativa de explicar algum acontecimento que não faz sentido na história, mas que o autor acha legal, os furos de roteiro são sempre complicados de lidar. Algumas vezes, eles estão relacionados a uma regra simples que pode ser alterada sem maiores problemas; outras vezes, ficam tão relacionados com a história que consertar o furo terá como consequência a mudança de acontecimentos importantes do enredo.

Ainda, mesmo que a história esteja bem planejada e o escritor saiba para onde está indo, algumas coisas podem dar errado no meio do caminho. Quanto maior e mais complexa for a trama, maior a chance de algum detalhe escapar e deixar um furo de roteiro que talvez não seja percebido até a revisão. Se você não sabe onde está, para onde vai ou quais são as regras do seu mundo, pode apostar que logo um furo de roteiro surgirá. Para te ajudar com isso, pense na sua novel e tente responder as perguntas abaixo (seja sincero, se não a brincadeira não vai dar certo).

Como esse elemento se encaixará dentro da história?


O ponto alto de toda história é o clímax. Basicamente, todos os elementos importantes da história devem convergir para esse momento: o arco dos personagens, o desenvolvimento do vilão, os eventos do mundo e tudo o que for mais importante para a narrativa têm de contribuir para esse momento de alguma maneira. Sabe aqueles capítulos nos quais você mostrou a relação entre o protagonista e o mestre ancião? Então, se você passou muito tempo falando disso (ou de qualquer outro tema), o leitor pensará que tal elemento será importante para a história. E se isso não acontecer?

Aí nós teremos um tipo de furo de roteiro. Afinal de contas, o escritor teria feito o leitor acreditar que algum elemento seria muito importante para a narrativa, mas ele acabou não sendo nada além de perda de páginas. Esse tipo de furo de roteiro normalmente acomete escritores que não planejaram sua história: só foram escrevendo o que parecia ser legal. Então, os elementos que pareciam importantes em um momento acabaram sendo deixados para trás com o decorrer da narrativa. 

E se o protagonista encontrou o mestre ancião lendário e o mestre nunca mais apareceu? O personagem não se lembra dele? Não fala dele? Não refinará as habilidades que aprendeu com ele? Não tentará superá-lo? Todas essas seriam consequências do encontro com o mestre - que foram esquecidas ou deixadas de lado pelo escritor. Veja, portanto, que o que realmente produz um furo de roteiro não é um elemento sem importância: mas as consequências que ele verdadeiramente seria capaz de produzir na narrativa, diante das regras estabelecidas para o mundo em questão.

Por isso é muito importante ver sua história como um conjunto de elementos, não como peças individuais com arcos solitários. A graça das narrativas é justamente a interação entre o mundo e os personagens, entre os acontecimentos e suas consequências. Quando planejar sua história, por mais simples que ela seja, pense:

"Esse elemento (personagem, local, coisa, habilidade) tem um papel importante para a história? Ele pode ser removido, substituído ou mesclado a outro?

"Qual o papel desse elemento (personagem, local, coisa, habilidade) na narrativa?"


Como será o desenvolvimento do seu antagonista?


Basicamente, o antagonista é a pedra no sapato do protagonista que acaba ajudando-o a se desenvolver. Assim, visto que ele está intimamente ligado ao personagem principal da história, pensar sobre o desenvolvimento do antagonista é tão importante quanto pensar sobre o desenvolvimento do protagonista

Uma das grandes contribuições de um bom antagonista é colaborar com o clímax da história. Caso ele tenha sido bem construído, os conflitos que se darão durante esse ponto alto da narrativa terão muito mais peso. Porém, quem trabalha com o antagonista mafioso - aquele que trabalha nas sombras - frequentemente se esquece disso. Se esse for o seu caso, deixa eu te lembrar uma coisa: aquele cara continua sendo o antagonista. E, por isso, a dinâmica entre tal personagem e o protagonista deve ser construída bem, de modo coeso e coerente com a proposta da narrativa. Se o antagonista for deixado de lado até o clímax, que é quando ele deveria lutar (física ou simbolicamente) contra o protagonista, metade da intensidade do momento vai embora.

Alguns furos de roteiro acontecem justamente por conta dessa negligência com o antagonista. Quando estiver pensando sobre seu antagonista e o papel que ele terá durante o conflito central da história, olhe para trás. Veja se o antagonista foi desenvolvido no decorrer da narrativa. Veja se suas motivações são coerentes e seus métodos fazem sentido para as regras do mundo, assim como você deve fazer com seu protagonista. Pense nos dois como a peça inicial e peça final de uma fileira de dominós: as ações de um e de outro têm consequências que, inevitavelmente, vão levá-los a se encontrar. E é neste momento em que o embate de ideais acontecerá.

Para verificar se você não está prestes a cometer furos de roteiro usando seu antagonista de furadeira, pergunte-se:

As motivações do meu antagonista estão suficientemente claras e de acordo com as regras do meu mundo?

Meu antagonista está fazendo coisas no mundo, assim como meu protagonista?

As consequências das ações do antagonista chegam ao protagonista e vice-versa?


Por hoje é só! A postagem ficou muito longa até aqui, então decidi cortá-la em duas partes. Assim sendo, te vejo na terça-feira que vem para descobrirmos juntos como evitar furos de roteiro (e construir uma história mais coesa). E não se esqueça: se quiser deixar algum comentário, fique livre para ser educado no campo dos comentários!








4 comentários:

  1. Boa noite, pessoal.

    Eu tenho um dúvida... meu personagem vai estar lembrando de uma discussão terrível. E ao mesmo tempo, estará pensando nela, indagando-se, tentando resolve-la... Como eu faço para diferenciar o flashback do dialogo, com os pensamentos dele no presente?

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    Respostas
    1. Boa tarde, dinamitemafia.
      É uma pergunta interessante, realmente. Eu recomendaria que você construísse a cena de forma que o protagonista revê a discussão acontecendo na frente dela, sempre com um lembrete ao leitor de que ele que está rememorando a cena, e intercalando-se com as opiniões dele no tempo presente.
      Para mais dicas quanto a ao uso de flashbacks, recomendo a nossa postagem: http://www.mylightnovel.com.br/2020/10/do-balanco-ao-orfanato-flashbacks-na.html

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    2. Muito obrigado por ter respondido, Tany!
      O que você me disse abriu minha visão e me deu muitas ideias!!
      Vou ver o post recomendado tmb!
      Sucesso pra vcs! Excelente blog!

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  2. É bem interessante que tenha citado o antagonista como um dos fatores que mais causam furos no roteiro. Parando para pensar muitos se focam tanto num terminado núcleo de personagens que acabam se esquecendo de todo resto.

    Minha técnica pessoal para evitar furos é imaginar um resumo da história só que de trás para frente. Costuma funcionar bem (eu acho).

    Seria legal caso fizessem um post sobre questões deixadas em aberto para o leitor interpretar, tem gente que confunde isso com furos de roteiro achando que são ganchos de sequência nunca utilizados.

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