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terça-feira, 12 de outubro de 2021

Como escrever humor: dissecando os básicos

 Uma introdução rápida: essa postagem foi feita por um de nossos futuros autores, embora esteja sendo postada por um dos revisores do blog. Por favor, direcionem perguntas e agradecimentos ao autor da postagem.

Você com certeza já ouviu a superstição de que humor é algo que não se explica. Como diria E.B. White, “Uma piada explicada é como um sapo dissecado: É educativo, é fascinante, mas o sapo morre no processo”. Mas será que isso é realmente verdade? Seria a comédia algo tão inefável assim?

Muito prazer, meu nome é Bacamarte. Sou um autor do MLN, e a prova viva de que qualquer idiota minimamente dedicado pode escrever uma comédia. E estou aqui para ensinar como você, caro ferona, pode ser, assim como eu, um mestre do riso, um sommelier das gargalhadas, um idiota dedicado! Quer saber como? Clica no Leia Mais, e vamos dissecar alguns sapos!


O que te faz rir?

Se você fizer essa pergunta a mil pessoas, você provavelmente acabará com mil respostas diferentes. Aquela hilária e inovadora piada de pavê que o seu tio contou na ceia de natal fez ele rir, mas provavelmente para ninguém mais. Seres humanos são tão únicos quanto suas digitais, então nunca se pode ter absoluta certeza do que vai fazer cada pessoa rir. Ainda assim, da mesma forma que nós podemos esperar que todas as digitais sejam um amontoado de risquinhos vagamente ovais, podemos extrair das coisas que nos fazem rir algumas bases sobre as quais podemos construir nossa comédia.

A estrutura de uma piada.

Se você tem interesse em humor, provavelmente já ouviu ser jogada por ai a fórmula “Setup-Punchline”, mas, quando analisamos de perto, essa fórmula não nos diz quase nada. Posso estar me excedendo aqui, quem sabe, mas acredito que a verdadeira estrutura de uma piada geralmente é composta de 4 elementos principais:

1.       Fundo

2.       Setup

3.       Punchline

4.       Tags

Fundo é o nome dado ao conhecimento prévio que o público deve ter para entender a sua piada. Se você for fazer uma piada sobre algo, é essencial que o seu leitor saiba do que se trata esse “algo”. Por esse motivo, piadas internas só funcionam para o grupo seleto de pessoas que conhece o contexto por trás da piada, e, como não existe uma única forma de vivenciar a vida, toda piada é, em algum nível, uma piada interna. Quando tiver escrito sua piada, sempre pergunte-se “De que contexto eu preciso pra rir disso?”.

Setup é o nome dado aos eventos que ocasionam a parte engraçada da piada. Seu nome, que literalmente quer dizer “preparo”, exemplifica bem o seu papel na estrutura da piada, já que é o terreno preparado para que a comédia possa surgir. A um nível básico, o “toc toc, quem é” das piadas de toc toc é um ótimo exemplo de setup, já que prepara o caminho para que a virada da piada possa acontecer. Um fato que possa ocasionar uma reação engraçada, uma pergunta que será respondida de forma inesperada, ou até mesmo uma perfeita calmaria antes de um evento absurdo, o Setup pode tomar qualquer forma necessária para facilitar a punchline.

Punchline é o nome dado à virada da piada, a parte que em que tudo que estava sendo construído até aqui finalmente é resolvido. Punchlines são, sem dúvida, a parte mais importante da piada, já que ela é a parte que de fato vai fazer o leitor rir, e para fazê-lo adequadamente, o leitor não pode estar esperando ela. Se o seu leitor conseguir prever o que vai sair da boca do seu personagem, sua reação provavelmente vai ser um gemido de desgosto em vez de uma gargalhada. Entretanto, a sua Punchline sempre deve estar conectada ao seu Setup. Enfiar algo aleatório no final da sua piada provavelmente só vai deixar o leitor decepcionado. Assim como um bom mistério, tenha certeza que a virada da sua piada é inesperada o bastante para divertir, mas não aleatória demais para decepcionar.

Tags são Punchlines adicionais que crescem a partir da piada original. Talvez um personagem chame o outro de baixinho na piada inicial, e outros personagens decidam intervir com seus próprios sinônimos, “baixote”, “porteiro de maquete”, “mergulhador de aquário”, etc. Essas são Tags. Toda Punchline que vem depois da inicial, mas não precisa de um setup próprio, é uma Tag, e elas funcionam como sub-piadas que aumentam a experiência da piada original.

A estrutura em prática

Vamos tentar dissecar uma piada retirada do Capítulo 9 da excelentíssima novel Sociedade dos Magos do autor Vinicius Santos Vini usando o que aprendemos na seção anterior:

“Como Cecyl já havia declarado uma das suítes território das garotas, eu fui até o outro quarto, uma réplica exata, e deixei minha mala ali, aproveitando o conforto da cama, que tinha um colchão extremamente macio.

— É como deitar em nuvens!

— A diferença — lembrou Gale, estraga-prazeres como sempre — é que numa nuvem você cairia de uma altura de quilômetros em direção à morte certa.

— É como deitar numa nuvem muito perto do chão! — Me corrigi.

— Então você precisaria de um cobertor, porque você estaria deitado em uma corrente de ar fria condensada pelo contato com uma...

— Gale, deixa eu me deitar!”

Pause por um segundo para ver se você consegue identificar os quatro elementos essenciais de uma piada. Em inglês, joke! Você pode dizer joke?

Very Good!

Agora que nosso momento de pausa recreativa passou, vamos dissecar os pontos essenciais da piada. Lembre-se de comparar com sua resposta para a chance de ganhar um cookie grátis com a próxima reprovação!

“Como Cecyl já havia declarado uma das suítes território das garotas, eu fui até o outro quarto, uma réplica exata, e deixei minha mala ali, aproveitando o conforto da cama, que tinha um colchão extremamente macio.

— É como deitar em nuvens!”

Essa seção em amarelo representa o Setup! Nela, o autor prepara o terreno para a virada que vai acontecer logo depois, quando Oliver recebe a resposta de Cecyl. Ela introduz o conceito de comparar uma cama a uma nuvem macia, que vai ser a base necessária para o comentário de Cecyl fazer sentido!

“— A diferença — lembrou Gale, estraga-prazeres como sempre — é que numa nuvem você cairia de uma altura de quilômetros em direção à morte certa.”

A seção em azul é a nossa Punchline! Esse é o ponto da piada em que algo quebra as expectativas que foram construídas pelo setup, nesse caso, o comentário de Oliver sendo tomado literalmente por Cecyl. Se quiséssemos, poderíamos terminar a piada por aqui. Mas, como você já deve imaginar, caro Ferona, ela ficaria muito mais sem sal assim.

“— É como deitar numa nuvem muito perto do chão! — Me corrigi.

— Então você precisaria de um cobertor, porque você estaria deitado em uma corrente de ar fria condensada pelo contato com uma...

— Gale, deixa eu me deitar!”

A seção em rosa são as nossas Tags! O nosso caro Vinicius não para na piada inicial, optando, no lugar, por fazer Oliver tentar se explicar, sendo cortado novamente pela estraga-prazeres Cecyl, antes de desistir completamente! Assim, ele constrói algo mais em cima da premissa da piada original, transformando uma piada aceitável em uma boa piada. Note, caro Ferona, que as piadas que vieram depois da Punchline original não funcionariam sem ela, o que é um dos fatores principais a atentar na hora de diferenciar uma piada nova da Tag de uma piada antiga.

— Ué! — pergunta, nessa hora, o Ferona atento. — Mas não eram quatro seções da piada? Onde está o Fundo?

Bom, Ferona atento — Se esse sequer é seu verdadeiro nome—, o Fundo não está dentro da piada em si, mas por trás dela. O Fundo é tudo aquilo que você precisou saber pra entender a absurdidade da fala da Cecyl, como por exemplo a habilidade de entender que “Deitar numa núvem” não está sendo dito literalmente. Algumas piadas têm fundos mais específicos, como a referência a Dora a Aventureira que eu fiz alguns parágrafos atrás, onde achar ou não a piada engraçada depende do seu conhecimento de uma fonte em especial, e não apenas o conhecimento comum.

Além dos básicos

Com esses conhecimentos, você, caro Ferona, acaba de dar seu primeiro passo de sapatos de palhaço em direção a se tornar um mestre da comédia como nosso caro Vinícius, ou um idiota dedicado como eu. Mas, não se precipite, sua caminhada está apenas começando, tudo o que eu fiz foi munir você com sua arma inicial! O rei-demônio ainda está em outro castelo, ou algo assim!

Ainda há muitas perguntas a serem respondidas! “Como eu escrevo personagens de alívio-cômico?”, “O que eu faço para criar boas piadas recorrentes?”, “Você está fazendo essas perguntas para estender essa postagem em uma série e conseguir publicidade para a sua Light Novel?”.

Essas e muito mais perguntas serão respondidas caso a staff lembre de me alimentar essa semana. E caso vocês se interessem pelas respostas, claro.

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