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domingo, 9 de dezembro de 2018

Caçadores de Reprovações #4 - Nov/Dez!


Parece que as coisas estão voltando ao normal nessas terras daqui. Em Novembro e início de Dezembro, tive de me ausentar das atividades do MLN por razões de vida fora aqui, mas agora estamos de volta com todo o gás — que ainda resta! Durante todo esse mês, nós conversaremos a respeito de grandes problemas com os textos enviados, então esse CR abordará aspectos pouco falados normalmente, dessa vez mirando em duas histórias: uma de Novembro e uma de Dezembro. Os temas desse domingão são: prosa em diário, localização da trama, estruturação de parágrafo, estruturação de ideias e uso da crase!

Termina essa macarronada e dê o último gole nesse refrigerante; os Caçadores de Reprovações já estão descansados e prontos para mais um dia na grande caçada!



O nome da obra foi modificado para não levar a maiores constrangimentos. Todos os dados dos 
autores foram omitidos e a privacidade dos mesmos será protegida.




LEGENDA:

1. Vírgulas

a) Amarelo: Eliminar a vírgula sem piedade.
b) Azul: Trocar por ponto melhora o fluxo.

2. Marcação de Texto

a) Itálico: Cacofonia.
b) Sublinhado: Repetição.
c) Vermelho: Erros de ortografia.
d) Azul: Consideração estilística.


1. DIÁRIOS & LIBERDADE





Se você já leu nossas postagens sobre Apresentação de Protagonista e Descrições: Conceitos Iniciais, já deve ter notado o primeiro grande problema desse texto. Quando iniciamos uma história, como também já conversamos nessa postagem aqui, as primeiras linhas devem ser impactantes e chamar a atenção do leitor. Normalmente, escolhem-se palavras que prendam e que não tenham um lugar melhor para estarem do que ali. Afinal de contas, esse é o primeiro contato do leitor com a obra. As primeiras informações são como a identidade visual do seu cartão de visitas (entendendo o cartão como o primeiro capítulo): se o cara bater o olho e as coisas não estiverem bonitinhas, dificilmente ele vai ligar pra você.

Da mesma forma acontece aqui. Saber o nome do personagem pouco importa nesse momento. Saber que ele é protagonista, bem menos. E, ainda mais, utilizar esses emojis tira totalmente o mérito de uma história séria. Ainda que seja uma história sobre chats na internet, isso não te dá a liberdade de retorcer o gênero para que ele se adeque aos seus anseios de autor iniciante. Preste atenção: aqui, a gente está no território do romance. Somos apenas forasteiros. Quando conseguirmos, pelo menos, nos tornar parte da nobreza, aí teremos armas e poderio o suficiente para tentar mudar alguma coisa nessa estrutura. Inserir esses emojis pode parecer bonitinho, mas tira totalmente a credibilidade do texto. "^^" significa que o narrador está feliz? Isso já dá perceber. "=P" denota que o narrador é amigável? Isso já deu pra perceber também. E por que o autor está usando travessões para a narração? Isso ainda é um mistério.

Mas você pode argumentar que o narrador, na verdade, está escrevendo um diário e que isso concede liberdade para brincar um pouco mais. Então, aí nós chegamos no segundo grande problema: diários são coisas complicadas. O diário tende a ser um formato bastante difícil e pouco interessante para se trabalhar em formato de romance. Normalmente, o que acontece é que o escritor utiliza a desculpa de sua história ser um diário para tentar fugir da fórmula de narrador-personagem ou narrador-observador. Assim, tenta-se mascarar o conceito de narração unilateral (por um ângulo somente) através de um macete de trabalhar com um formato que só permita esse ponto de vista. E é aí que a coisa começa a apertar.

Como se trata de um diário, logicamente esperam-se confissões. Nesse formato, o importante não chega a ser nem o que acontece, mas como o narrador vivencia as situações envolvidas nesse conflito. Por isso, além de ser um formato de olho-único, ele ainda precisa pesar muito na conotação emocional. E, é claro, fazer isso bem. De nada adianta inserir melodramas e acontecimentos que tentem envolver o leitor se isso for feito de maneira abaixo do bom. Mas ainda tem outra coisa. Olhe bem para o que essa história se propõe. Ela parece mesmo que terá como foco o olhar do narrador (que parece ser uma criança ou adolescente) sobre os acontecimentos que pairam sobre ele? Será mesmo que o narrador levará um caderno para onde quer que seja e escreverá tudo o que aconteceria com ele? Será que ele escreverá todos os diálogos de todos os outros personagens? Adiantando a prosa: não, ele não vai.

Assim, essa complexidade de: conotação emocional profunda + confissões + ponto de vista unilateral + dificuldade em contextualizar acontecimentos; impede que nós, aqui do MLN, possamos aceitar uma novel que se proponha a realizar esse tipo de prosa. Além de ser um gênero pouco agradável de ler em um romance, muitas vezes truncado, ele não bate com a nossa proposta de publicação.

E, um último parecer antes de passarmos para o próximo fragmento: os vocês, sublinhados, pertencem à mesma oração; estando um pouco próximos. Uma alternativa seria substituir a primeira parte por algo como: "não posso dizer muito aos leitores (...)", mantendo o sentido e tornando a fase mais bonitinha.




Aqui, para finalizar nossos tradicionais dois fragmentos, primeiro precisamos conversar sobre aquele "Independência ou Morte!". O Grito do Ipiranga já inspirou muitas obras pelo país, porém, chega a pergunta: essa história realmente se passa no Brasil? Por enquanto, não há nada que diga que sim ou que não. Porém, independente da resposta que o autor possa nos dar, aqui vale uma reflexão sobre a utilização de expressões locais.

Sem se desprenderem da herança dos mangás, animes e light novels, muitos autores escrevem seus textos sem pensar na localização de sua trama. Assim, é muito comum que, mesmo em novels que se passam nas Américas ou Europa, diversos feronas incluam os famosos honoríficos japoneses (-san, -kun, -senpai, etc) ou outros termos que julguem mais convenientes. Isso costuma se dar pela caracterização de um personagem que vem de família japonesa ou é emigrante desse país. Porém, esses elementos são pouco explorados ou até mesmo esquecidos, visto que somente foram adicionados à trama para sustentar uma mania perigosa do escritor.

Vamos fazer um exercício mental: você sai do Brasil e vai morar nos Estados Unidos. Chegando lá, você precisa de algo para comer e opta por um restaurante familiar só essa noite. Para chamar o garçom, você utilizaria doutor; mestre; campeão; imperador ou sambarilove? Doctor, master, champion, emperor and... Espera, esse aí pegaria mal.

Pois é, como são culturas diferentes, é preciso que haja adequações na fala (e na escrita!). Nem tudo o que você utiliza em uma língua pode ser totalmente transmitido para a outra, sempre alguma coisa vai ser acrescentada ou deixada de lado. O mesmo acontece para os honoríficos. Um imigrante japonês, muito provavelmente, não utilizaria honoríficos com seus novos amigos brasileiros. Afinal de contas, a gente não os utiliza também. Da mesma forma que você não chamaria o garçom estadunidense de sambarilove só porque você é brasileiro, o senhorzinho japonês também não utilizaria termos estrangeiros que encontrassem correspondência na língua da qual agora faz parte

Aqui, a gente não chega chamando os outros por "Hey!". Não tratamos um ao outro por honoríficos. Se você pode usar xampu, uísque e ranque; por que diria shampoo, whisky e rank? E se sua prosa não tem um local definido, qual é o peso de gritar Independência ou Morte?

Um último ponto estilístico para comentarmos: "mundo afora". A expressão "mundo afora" costuma ter conotação ligada a grandes viagens ou expedições, normalmente demoradas e com muitos lugares diferentes pelo caminho. O autor utiliza a expressão para dizer que seu personagem estava fora de casa, mas ainda no país. Não é errado, porém, mundo afora significa mais do que somente longe de seu local de origem. Um simples "muito longe" já seria o suficiente.

E, é claro, não poderíamos deixar de comentar sobre esse parágrafo gigante com tantas sugestões de troca de vírgula. Além desse parágrafo estar estruturado de uma maneira que ainda pode ser bastante melhorada, ele é muito extenso. Desnecessariamente extenso. Uma regra clara: um parágrafo, um assunto. Somente nesse trecho, temos narração sobre a) o que tem para fazer na casa, b) guardas e c) rotina do personagem. Esses assuntos estão um pouco misturados, então seria melhor organizar tudo o que é a em a, tudo o que é b em b, e c em c, para que o parágrafo se articule melhor e permita uma leitura mais agradável.


POSTAGENS RECOMENDADAS COM LIBERDADE


2. CONSTRUÇÕES & TRAVESSÕES



Parece que os feronas desses tempos realmente gostam de utilizar o clichê das introduções. Mas sobre a marcação azulada dessa primeira linha você deve estar bem ciente. Vamos nos atentar à segunda linha do primeiro parágrafo, mais especificamente à frase:

Eu não possuo sobrenome já que meus pais não possuem terras, somente aqueles que são donos de seu próprio lar tem (têm; coloque o chapéu quando for plural) o direito de ter um sobrenome.

Primeiro, vamos dar uma arrumada na pontuação desse trechinho. Como assinalado de marcador azul no texto, as vírgulas antes de "somente" e "sobrenome" podem ser trocadas por ponto final. E, após sobrenome, ainda seria interessante colocar uma vírgula: como estamos explicando melhor o fato de o personagem não possuir sobrenome, a vírgula é bem-vinda. Essa mudança torna o parágrafo mais limpo e rápido de ler. Períodos com muitas vírgulas parecem estar constantemente se intrometendo no texto, intercalando informações. A gente vai ver que esse é um problema bastante evidente nessa novel logo mais. No momento, voltemos ao trecho.

Eu não possuo sobrenome, já que meus pais não possuem terras. Somente aqueles que são donos de seu próprio lar têm o direito de ter um sobrenome.

Certo, agora o trecho ficou bem mais arrumadinho. Mas ele ainda tem um pequeno problema: ele está pleonástico. Espera, pleonástico? O que é isso mesmo? Na postagem de figuras de linguagem, a gente já conversou sobre o pleonasmo, mas de nada fere retornamos a esse conceito. O pleonasmo é uma figura de linguagem que intensifica o sentido de determinada parte da oração através da repetição de uma ideia já apresentada anteriormente. Por exemplo, "subir para o andar de cima"; "entrar dentro de casa", são frases pleonásticas. 

E por que dizemos que aquele trecho é pleonástico? Oras, porque a segunda parte dele somente reforça a ideia do primeiro, sem necessidade real. Veja: se o rapaz não possui sobrenome porque (o "já" exerce a função explicativa ali) os pais dele não possuem terras, quer dizer que, nesse universo, somente aqueles que possuem terras têm sobrenome. Ou, pelo menos, foi isso que o autor nos disse ao aproximar "Eu não possuo sobrenome" de "já que meus pais não possuem terras". Assim sendo, a segunda parte pode ser excluída e deixar o leitor fazer o link entre as informações. É claro, caso a ideia realmente seja bastante importante, pode deixar ela ali para reforçar ainda mais o conceito.  Mas, omitindo-a, a prosa fica menos óbvia e mais divertida. Ficou claro?

Ainda nesse pedaço do texto (acredite, existe mais coisa para comentar!), vamos falar sobre outro trecho. Dessa vez, atentemo-nos aos excertos abaixo.

É impossível entrar no nosso reino, existem guardas em toda a fortaleza, pelo menos eu achei que era.

Achei que era um lobo branco, só que isso era mais impossível ainda, já que eles vivem nas montanhas geladas a milhares de quilômetros daqui, somente quando ele chegou bem perto eu pude notar o que era de verdade.

Em comum, os dois apresentam informações embaralhadas que dizem respeito a outras coisas que não a qual elas aparentam se relacionar. Espera, o quê? Veja só. No primeiro trecho, "existem guardas em toda a fortaleza" explica o fato de explicitado em "É impossível entrar no nosso reino", enquanto "pelo menos eu achei que era" complementa com uma nova informação, dizendo que o narrador acreditava nisso até vivenciar alguma coisa. Porém, a falta de conectivo e a ordem embaralhada torna a coisas mais confusas do que isso. No segundo trecho, "somente quando ele chegou" diz respeito a uma informação que sequer foi citada nesse parágrafo, acerca do ponto branco que corria, sendo necessário remeter a ela mais uma vez para tirar esse embaralhamento. E como fazemos isso?

Simples, vamos aglutinar os parecidos e explicar as relações. Para o primeiro trecho, uma possível saída abarca arrumar o tempo verbal, deixar clara a relação explicativa e ajustar umas coisinhas:

Era impossível entrar no nosso reino. Pelo menos, eu achava que era. Afinal de contas, existiam guardas por toda a fortaleza.

E no segundo caso? Vamos a ele!

Achei que era um lobo branco, só que isso era mais impossível ainda. Eles viviam nas montanhas geladas a milhares de quilômetros daqui. Somente quando aquele ponto branco se aproximou, eu pude notar o que era de verdade.

Por fim, uma últimas consideração antes de passarmos para o último print do quadro desse mês. Repare que, no último parágrafo, há uma expressão destacada: tomou em um gole. Mas vamos pegá-la no contexto: "O carreguei para dentro e lhe dei água, sua sede era tanta que ele tomou em um gole." Certo, o garoto estava com sede e tomou a água em um gole. Ao que parece, essa frase está muito comum, mas o autor queria dar ênfase no fato de o menino tomar toda a água oferecida em um gole. Repare na diferença, acrescentando "tudo" e "só" para reforçar ainda mais a ideia:

O carreguei para dentro e lhe dei água, sua sede era tanta que ele tomou em um gole.
O carreguei para dentro e lhe dei água, sua sede era tanta que ele tomou tudo em um gole.

Porém, os problemas com esse pedacinho final não param por aí! Se você notar aquela marcação em vermelho, perceberá claramente que essa novel seria REPROVADA instantaneamente. Afinal de contas, ela não usa travessões. Aquilo é um hífen. E falta um ponto final!




Nesse último trecho, os erros estão já mais dissolvidos e comentados anteriormente. Aqui, o pulo de gato está na utilização da crase em "minha família". Esse é um tópico meio complicadinho, mas vamos passar por cima dele para finalizar a postagem desse mês. Então, temos, originalmente: "vão matar a mim e minha família."

Vamos usar a regra básica da crase aqui: se, ao trocar a expressão para o masculino, o "a" vira "ao", então haverá crase. Perceba que, se fôssemos escrever essa frase como duas distintas, possivelmente faríamos como: "vão matar a mim" e "vão matar a minha família". Juntando as duas, temos: "vão matar a mim e a minha família". Mas como saber se esse segundo "a" tem crase? Aplicamos a regra. Um correspondente masculino da expressão feminina "minha família" pode ser "meu grupo". Então, troquemos!

Expressão do feminino: Vão matar a mim e a minha família.
Expressão do masculino (1): Vão matar a mim e ao meu grupo.
Expressão do masculino (2): Vão matar a mim e a meu grupo.

As duas expressões do masculino parecem corretas. Assim sendo, pode acontecer a crase (porque apareceu o "ao", lembra da regra?) ou não pode, porque não apareceu o "ao" no segundo caso. Sendo assim, aqui, a crase é facultativa. Mas o artigo é obrigatório.



POSTAGENS RECOMENDADAS COM RECOMENDAÇÕES





Críticas, comentários e sugestões são especialmente bem-vindos! O que achou do quadro desse mês? Tem alguma coisa para falar sobre os textos? Achou algum erro que você também pode estar cometendo? Sinta-se livre para comentar!

Vejo vocês logo mais com as postagens do Especial de Natal! E fiquem ligados: o Expresso Descritivo está prestes a partir!



Um comentário:

  1. Interessante, planejo criar uma LN futuramente e para mim o maior trabalho é a língua portuguesa kk

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